27 de abr de 2015

Estatinas e miopatia: sintomas e fatores de risco


As estatinas são agentes antilipêmicos inibidores competitivos da enzima HMG-CoA redutase, enzima que catalisa a conversão da HMG-CoA a mevalonato, um precursor do colesterol.   São fármacos eficazes em reduzir as concentrações plasmáticas das LDL-colesterol.  Em doses usuais (20-40 mg) são bem toleradas, apresentando baixa incidência de efeitos adversos. Entre os efeitos mais comuns estão cefaleia, diarreia, fraqueza, fadiga, mialgia, aumento nos níveis da hemoglobina glicosilada e glicose em jejum, podendo evoluir para quadros mais graves como hepatotoxicidade, miopatia e insuficiência renal.
Todas as estatinas estão associadas ao risco de rabdomiólise, uma miopatia caracterizada pela quebra do músculo esquelético, que leva a liberação de proteínas presentes nas células musculares na corrente sanguínea, como a mioglobina, a lactato desidrogenase (LDH) e a creatinina quinase (CK). A rabdomiólise é confirmada com aumento nos níveis plasmáticos dessas proteínas. Os sintomas são dose-dependente e podem aparecer desde o início da terapia. As manifestações clínicas podem iniciar com mialgia, dor nas extremidades inferiores, dor nos ombros e fadiga associada a atividade física sem elevações enzimáticas, ou ainda, com discreto aumento enzimático sem mialgia até casos severos de insuficiência renal aguda e óbito.  Quando o dano muscular é extenso, os níveis de CK podem estar 10 vezes acima do normal, além de dores, náusea, febre, vômito, urina escura. A urina se torna vermelho-marrom devido aos altos teores de mioglobina liberados pelos rins. São fatores que predispõe a ocorrência dessa patologia: sexo feminino, idade avançada, fragilidade, comorbidades, hipotireoidismo, polifarmácia e interações com medicamentos como fibratos, ácido nicotínico, ciclosporina, amiodarona, verapamil, digoxina, anlodipino, antibióticos macrolídeos, abuso de álcool. Para pacientes de alto risco recomenda-se realizar um doseamento de CK para controle e monitoramento do sintomas e níveis séricos dessa enzima.
Existem diversas teorias sendo investigadas para explicar esse efeito. Uma explica que o efeito adverso no músculo envolve a interrupção da síntese de ubiquinona (CoQ10) devido à inibição da produção de mevalonato, um de seus precursores. Isso ocorre pelo mecanismo de inibição da HMG-CoA redutase que está na rota biossintética do mevalonato. A ubiquinona está envolvida na produção de energia através da cadeia respiratória mitocondrial. Outra, ligada à mesma rota, envolve a ativação de proteínas regulatórias, como a proteína ligadora de guanosina trifosfato (GTP), importantes no controle de apoptose conduzindo à morte descontrolada de células. Há ainda outra, que envolve o enfraquecimento da membrana celular pela redução do colesterol presente entre as cadeias lipídicas.
 Boletim sobre a possível associação entre o uso de estatinas e miopatia pode ser lido em:  http://www.icf.uab.es/informacion/boletines/bg/bg264.13e.pdf

Boa leitura,
Equipe CIM-RS

Este material foi elaborado pela aluna de graduação em Farmácia Franciele Gasperin, e revisado pela farmacêutica Tatiane da Silva Dal Pizzol.




Fontes:

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bulário eletrônico. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/BularioEletronico/. Acesso em: 12 mar. 2015.

Butlletí Groc. Estatinas: la otra cara de la moneda. Fundación Institut Catalan de Farmacologia. Vol. 26. N. 4. Outubro – dezembro 2013. Disponível em: < http://www.icf.uab.es/informacion/boletines/bg/bg264.13e.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2015.

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