13 de jan de 2017

Estatinas e dor




Estatinas são classificadas como agentes anti-hiperlipidêmicos empregadas na redução de mortalidade em pacientes com doenças cardiovasculares. Entre os efeitos adversos, é relatado dor em músculos esqueléticos e, em casos mais raros, rabdomiólise com falha renal secundária.O risco é maior em pacientes em uso de sinvastatina, quando comparada a outros fármacos da mesma classe, ou quando utilizado elevadas doses de qualquer estatina, em comparação com doses baixas1.
Estatinas são amplamente prescritas para idosos;entretanto, a maioria dos estudos que comprovam sua eficácia são realizados com indivíduos mais jovens, pondo em xeque sua efetividade em pacientes de outras faixas etárias. O benefício do uso das estatinas em algumas condições também tem sido questionado, como em idoso sem tratamento paliativo para câncer. Com esse objetivo, resultados preliminares de estudo transversal realizado na Austrália por Turner e colaboradores apontaram para uma relação entre ouso destes fármacos e dor em pacientes idosos com câncer2.
Embora não esteja ainda totalmente elucidado, suspeita-se que um dos mecanismos que cause dor pelo uso de estatinas deva-se a insuficiência de vitamina D, a qual estaria associada com a via de metabolização das estatinas; em indivíduos com deficiência dessa vitamina, a metabolização das estatinas ocorreria em menor extensão, gerando toxicidade3.
Nesse sentido, pacientes em uso de estatinas, particularmente idosos e com comorbidade podem se beneficiar de intervenções farmacêuticas que visem o seguimento farmacoterapêutico, com acompanhamento da ocorrência de efeitos adversos e outros possíveis problemas relacionados a medicamentos (PRM).
 Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva Dal Pizzol
  1. DRUG Facts and Comparisons. 2014 Edition. St.Louis: Facts and Comparisons, 2013
  2. Turner JP et al. Statin Use and Pain in Older People with Cancer: A Cross-Sectional Study. Journal compilation 2014, The American Geriatrics Society.
  3. Pereda CA, Nishishinya MB. Is there really a relationship between serum vitamin D (25OHD) levels and the musculoskeletal pain associated with statin intake? A systematic review. ReumatolClin. 2016 Apr 25. pii: S1699-258X(16)30001-8. doi: 10.1016/j.reuma.2016.03.009.



6 de jan de 2017

Acne: além da aparência


Na adolescência, além de lidar com frequentes mudanças comportamentais e sociais, o adolescente passa por mudanças físicas e hormonais, e surgimento de acne. Em uma fase do desenvolvimento onde a preocupação com a aparência cresce em importância, o surgimento de acne pode levar a insegurança, timidez e comprometimento da autoestima1,2.

Em 2010, a acne esteve entre as dez doenças mais prevalentes no mundo3. Estudos demonstram a relação entre acne e ansiedade, depressão e outros transtornos psicossociais, tanto em crianças quanto em adultos. Em um estudo longitudinal prospectivo com dados de mais de 1000 indivíduos acompanhados por 23 anos, foi identificada uma relação entre ansiedade persistente durante adolescência e vida adulta e o desenvolvimento de acne4.

Para o tratamento desta condição, um dos medicamentos utilizados é a isotretinoína, um retinóide sintético. O uso e a dose devem ser rigorosamente avaliados e monitorados, devido aos potenciais efeitos adversos, entre os quais tem sido destacado o desenvolvimento de depressão, psicose e, raramente, idealização de suicídio, efeitos identificados durante a fase de farmacovigilância5.

Um dos problemas associados com os efeitos adversos psiquiátricos é a dificuldade de prever quais pacientes poderão desenvolver tais efeitos. É importante realizar avaliação psicológica dos pacientes antes, durante e após o tratamento com o fármaco para acompanhar possível desenvolvimento de transtornos mentais6. Para melhor auxiliar na prescrição de isotretinoína, foram desenvolvidas, na Austrália, recomendações que podem ser conferidas em: https://www.dropbox.com/s/3vf3k6h173llweu/ajd12117.pdf?dl=0

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva Dal Pizzol

1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Acne. Disponível em: http://www.sbd.org.br/doencas/acne-2/ Acessado em: 09/12/2016
2.     (HARDMAN, J. G.; LIMBIRD, L. E. (Ed.) Goodman & Gilman - As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 10.ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2003.
3.     Hay RJ, Johns NE, Williams HC et al. The global burden of skin disease in 2010: an analysis of the prevalence and impact of skin conditions. J Invest Dermatol 2014; 134:1527–34.
4.     Ramrakha S, Fergusson DM, Horwood LJ, Dalgard F, Ambler A, Kokaua J, Milne BJ, Poulton R. Cumulative mental health consequences of acne: 23-year follow-up in a general population birth cohort study. Br J Dermatol. 2016 Nov;175(5):1079-1081. doi: 10.1111/bjd.13786. Epub 2016 Sep 13.
5.     MCEVOY, G. K. (Ed.) AHFS Drug Information. Bethesda: ASPH, 2014

6.     Rowe C, Spelman L, Oziemski M, Ryan A, Manoharan S, Wilson P, Daubney M, Scott J. Isotretinoin and mental health in adolescents: Australian consensus. Australas J Dermatol. 2014 May;55(2):162-7. doi: 10.1111/ajd.12117. Epub 2013 Nov 28.




23 de dez de 2016

Câncer de pele - como se prevenir



Câncer de pele é o tipo de câncer maligno mais prevalente no Brasil. Mais comum em pessoas acima de 40 anos, é relativamente raro em crianças e negros. O principal fator de risco é a exposição a raios ultravioleta (UV), prevalecendo em pessoas que trabalham constantemente sob o sol ou que passem muito tempo sob exposição em horários de risco (10-16h)1. O seu tipo mais agressivo, o melanoma, é um dos tipos de câncer de pior prognóstico2.


É recomendável que todos sigam as instruções para prevenir o desenvolvimento de câncer de pele como uso de protetor solar FPS 30 ou mais3, chapéus, guarda-sol, e não se expor ao sol dentro do horário de risco. Existem indivíduos com maior prevalência e riscos de desenvolverem este tipo de câncer:  pessoas com fototipos claros, facilidade de se queimar, cabelos ruivos ou loiros ou olhos verdes ou azuis. Estes devem ter atenção ainda maior quanto às medidas de prevenção1,2.


Portanto é necessário cuidado quanto a exposição ao sol, seguindo recomendações de órgãos de saúde. Para se proteger de maneira mais eficaz, dê uma olhada no folheto informativo desenvolvido por alunos e profissionais da Farmácia Popular do Brasil/Farmácia Escola da Faculdade de Farmácia da UFRGS.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva Dal Pizzol


REFERÊNCIAS
  1. INCA. Pele não melanoma. Disponível em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/pele_nao_melanoma Acessado em: 14/12/2016
  2. CONITEC. Protocolo Clínicos  e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/livro-pcdt-oncologia-2014.pdf Acessado em: 14/12/2016). Sociedade Brasileira de Dermatologia. Câncer de pele. Disponível em: http://www.sbd.org.br/doencas/cancer-da-pele/ Acessado em: 20/12/2016

Final de ano

Informamos que o CIM-RS entrará em recesso de fim de ano e não abrirá na semana entre os dias 25 e 31 de dezembro.

Aproveitamos para desejar boas festas e um próspero ano novo!

- Equipe CIM-RS

16 de dez de 2016

Inibidores de Bomba de prótons e demência





Inibidores de bomba de prótons (IBP), como omeprazol, são amplamente utilizados, e frequentemente fazem parte da polifarmácia em idosos. Indicado para desordens gástricas, refluxo gastroesofágico e diferentes tipos de úlceras, IBP são normalmente associados a alta efetividade e efeitos adversos não muito frequentes ou graves, o que colabora para seu amplo consumo.1.
Entretanto, recentes estudos demonstram uma suposta ligação entre o uso de fármacos inibidores de bomba de prótons e problemas neurocognitivos, como demência2,3. Em meta-análise realizada em 2016, reunindo artigos que totalizaram mais de 100 mil participantes, foi encontrado um pequeno aumento no risco de demência em pacientes em uso de IBP, quando comparados a pacientes que não utilizavam esses medicamentos3.
Entre as possíveis explicações para este efeito, destaca-se a influência de IBP na degradação e acúmulo de peptídeo beta-amilóide, importante no desenvolvimento de Doença de Alzheimer, e problemas de absorção da vitamina  B12, importante  para o desenvolvimento e manutenção das funções do sistema nervoso4.
Visto o aumento de evidências demonstrando o efeito neurocognitivo de IBP, é recomendável uma análise mais profunda da possível relação causal entre IBP e demência. Aos prescritores, sugere-se maior cautela e monitoramento no uso dos IBP em idosos, visando o uso racional desses medicamentos.

Texto elaborado por Acad. Gustavo F Marcowich
Revisado por Farm. Prof. Tatiane da Silva dal Pizzol

REFERÊNCIAS

1.     Arai, AE. Uso crônico de fármacos inibidores de bomba de prótons: eficácia clínica e efeitos adversos. Disponível em: http://web.unifil.br/pergamum/vinculos/000004/0000041E.pdf Acessado em: 09/12/2016
2.     Gomm W. et al. Association of Proton Pump Inhibitors With Risk of Dementia: A Pharmacoepidemiological Claims Data Analysis. JAMA Neurol. 2016;73(4):410-416. doi:10.1001/jamaneurol.2015.4791.
3.     Wijarnpreecha K., Thongprayoon C., Panjawatanan P., Ungprasert P. Proton pump inhibitors and risk of dementia. Annals of Translational Medicine 2016 4:12 (1-6)

4.     Abraham NS. Proton pump inhibitors: potential adverse effects.Curr Opin Gastroenterol. 2012 Nov;28(6):615-20. doi: 10.1097/MOG.0b013e328358d5b9

5 de dez de 2016

Homeopatia - funciona mesmo?

        




        Homeopatia é uma técnica bicentenária que vem se firmando mundialmente como uma alternativa na terapêutica humana e veterinária e hoje disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Medicamentos homeopáticos se originam do princípio “Similia similibus curantur”, que foi adaptado por Christian Friedrich Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia, como: “Os remédios só podem curar doenças semelhantes àquelas que eles próprios podem produzir”. Tais medicamentos são derivados de fontes naturais que a partir da dinamização liberam suas propriedades medicinais1. Os medicamentos e técnicas homeopáticas são documentados e possuem Farmacopéia própria, como a do Brasil, que pode ser consultada neste link. Cabe destacar que não são medicamentos homeopáticos: essências florais, medicamentos antroposóficos, cromoterapia, aromaterapica, acupuntura, reiki, iridologia, shiatsu, dentre outros2.
           
        Por vezes, os medicamentos homeopáticos passam por descrença pelo meio acadêmico e profissional; entretanto em relatório sobre a efetividade e segurança de medicamentos homeopáticos desenvolvido para o Gabinete Federal Suíço para Saúde Pública, com o objetivo de avaliar formas de medicina complementar, é relatado que a efetividade destes medicamentos pode ser comprovada por evidência clínica3. No entanto, o relatório destaca que os dados não são sempre consistentes, levando a restrições nos resultados.
      
        Apesar do tratamento homeopático estar incluso e ser financiado pelo SUS, ainda não é contemplado em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, mesmo em condições para as quais já existam evidências. Por exemplo, embora com poucos estudos incluídos, uma revisão Cochrane, buscando avaliar o uso de medicamentos homeopáticos em casos de efeitos adversos causados por antineoplásicos, evidenciou efeitos benéficos do uso de pomada de calêndula em uso tópico para tratamento de dermatite causada por radioterapia e do uso de Traumeel S (um medicamento homeopático) como exaguatório bucal para diminuição de estomatite induzida por quimioterapia4. Ao menos no Brasil, não existe descrição do uso de medicamentos homeopáticos para essas ou outras indicações nos protocolos clínicos5.

        Consultando a base Cochrane de revisões sistemáticas e outras bases de dados, como PubMed e Embase, é evidente o baixo número de ensaios clínicos randomizados de qualidade existentes sobre o tema, resultando em revisões sistemáticas e meta-análises inconclusivas em sua maioria. Talvez a falta de evidência seja um dos motivos para a não inserção da prática homeopática no SUS; no entanto, ausência de evidência não significa necessariamente ausência de efeito. Portanto, é de suma importância que mais estudos controlados de boa qualidade sobre eficácia, segurança e efetividade de medicamentos homeopáticos sejam realizados e, dessa maneira, possam contribuir com o acesso e uso racional de tecnologias de saúde no SUS.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Farm. Prof. Tatiane da Silva Dal Pizzol


1.       BRASIL. ANVISA. Farmacopéia Brasileira de Homeopatia. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/farmacopeiabrasileira/conteudo/3a_edicao.pdf Acessado em: 21/11/2016
2.       BRASIL. ANVISA. Medicamentos Dinamizados. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/homeopaticos/definicao.htm Acessado em: 21/11/2016
3.       Bornhöft G et al. Effectiveness, safety and cost-effectiveness of homeopathy in general practice - summarized health technology assessment. Forsch Komplementmed. 2006;13 Suppl 2:19-29. Epub 2006 Jun 26.
4.       Kassab S, et al. Homeopathic medicines for adverse effects of cancer treatments. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009, Issue 2. Art. No.: CD004845.
5.       BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia. Brasília -DF. 2014. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/livro-pcdt-oncologia-2014.pdf Acessado em: 21/11/2016

16 de nov de 2016

Comunicamos que no dia 17/11 o CIM-RS abrirá em turno inverso, das 13:30h às 17:30h.
Att
Equipe CIM-RS


10 de nov de 2016

Estatísticas parciais de 2016

Está disponível para acesso as estatísticas parciais de 2016 do CIM-RS.
Para visualizar clique aqui.

Atenciosamente

Equipe do CIM-RS

Obesidade - preciso mesmo recorrer a medicamentos?




A população mundial vem ganhando peso corporal, e a brasileira não fica para trás. Pesquisa realizada em 2014 em 26 capitais brasileiras, denominada Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), revelou que 52,5% da população brasileira estava acima do peso. Segundo esta pesquisa, 51,8% dos moradores de Porto Alegre estavam com excesso de peso. A capital com maior número de pessoas nessa situação foi Rio Branco, com 60,8%. Porto Alegre também possuía 18,2% de pessoas obesas, um número alto quando comparado à capital com menor proporção de pessoas obesas, Goiânia, com 14 %. 1,2.

            Considerada um dos principais problemas de saúde pública na atualidade, por ser um fator de risco para doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer, a obesidade pode ser classificada de diversas formas. A mais usada é o IMC (Índice de Massa Corporal), que relaciona peso e altura do indivíduo. Sobrepeso é caracterizado por um IMC entre 25 a 29,9 e grau I de obesidade, a partir de 30 até 34,9 3. Por conta da alta prevalência e dos problemas que pode causar, há diversos programas de saúde pública em todo mundo para tentar diminuir os índices desta condição.

            Revisão sistemática e metanálise publicada em 2013 avaliou a influência de algumas medidas terapêuticas na manutenção e melhora na perda de peso após dietas com baixo valor calórico. Esta pesquisa, que incluiu 27 estudos com mais de 3000 participantes no total, verificou que fármacos antiobesidade, reposição alimentar e dietas com alta proporção de proteínas foram efetivas em aumentar a perda de peso, enquanto exercício físico e suplementação alimentares (como chá verde, suplementações com ácido linoleico conjugado, óleos e fibras) não demonstraram aumento da perda de peso, mas foram suficientes para manter o peso. Isso demonstra que existem outras alternativas ao uso de fármacos para manutenção e perda de peso. Alternativas que, em geral, possuem efeitos adversos em menor prevalência e gravidade. Entretanto, esta pesquisa apresentou algumas limitações como o baixo número de estudos clínicos randomizados que compararam o uso de exercícios e fármacos antiobesidade4.

            No caso de crianças, mudanças comportamentais na família como um todo levam a efeitos positivos na perda de peso quando o IMC é avaliado em crianças e adolescentes. Estas mudanças incluem adequação da dieta, prática de atividade física e/ou intervenção com terapia comportamental. Quando usados juntamente com mudanças no estilo de vida em crianças obesas, o uso de medicamentos, como sibutramina, resultou em uma perda ainda maior de peso, embora com o aparecimento frequente de efeitos adversos característicos, como taquicardia e hipertensão. Portanto, o efeito farmacológico resultante do uso de medicamentos deve ser balanceado com os problemas que estes possam causar no momento de estabelecer o plano terapêutico nessa faixa etária. Ainda assim, mais estudos são necessários para determinar qual a melhor abordagem a ser usada em crianças e adolescentes e que resulte na perda de peso de maneira saudável5.

            O Brasil por muito tempo foi o maior consumidor de medicamentos inibidores de apetite usados contra obesidade. Entretanto, nos últimos anos vêm apresentando um panorama heterogêneo em relação ao consumo de tais medicamentos, ou seja, o número de dispensações vem se distribuindo de forma diferente de acordo com a cidade: aumentando, diminuindo ou se mantendo o mesmo6.   Entretanto, evidências apontam para outros métodos tão efetivos quanto os medicamentos que não possuem os potenciais efeitos adversos que medicamentos, como a sibutramina, podem causar. 7
A aquisição de hábitos alimentares e estilo de vida saudáveis ainda é a primeira abordagem a ser utilizada pela pessoa que necessita perder peso. A utilização de medicamentos deve ser reservada a situações muito específicas, e deve ser feita somente com prescrição médica e com a orientação do farmacêutico para o uso adequado. 

Texto elabotado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva Dal Pizzol

1.     MINISTÉRIO DA SAÚDE. VIGITEL BRASIL 2014 - vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em: http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_assunto/2015_vigitel.pdf Acessado em: 07/11/2016
2.     PORTAL SAÚDE. VIGITEL 2014 - Obesidade estabiliza no Brasil, mas excesso de peso aumenta. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/17445-obesidade-estabiliza-no-brasil-mas-excesso-de-peso-aumenta Acessado em: 07/11/2016
3.     HALPERN, A; MANCINI, M. C. Obesidade e Síndrome Metabólica para o Clínico. São Paulo: Rocca, 2009.
4.     Johansson K, Neovius M, Hemmingsson E. Effects of anti-obesity drugs, diet, and exercise on weight-loss maintenance after a very-low-calorie diet or low-calorie diet: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2014 Jan;99(1):14-23. doi: 10.3945/ajcn.113.070052. Epub 2013 Oct 30.
5.     Oude Luttikhuis H, Baur L, Jansen H, Shrewsbury VA, O'Malley C, Stolk RP, Summerbell CD. Interventions for treating obesity in children. Cochrane Database Syst Rev. 2009 Jan 21;(1):CD001872. doi: 10.1002/14651858.CD001872.pub2.
6.     BRASIL. ANVISA. SNGPC – Boletim de Farmacoepidemiologia. ”Inibidores de Apetite no Brasil: reflexões sobre seu consumo nos anos de 2009 a 2011”. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/sngpc/boletins/2012/boletim_sngpc_1_2012_modificado.pdf Acessado em: 10/11/2016
7.     Siebenhofer A, Jeitler K, Horvath K, Berghold A, Posch N, Meschik J, Semlitsch T. Long-term effects of weight-reducing drugs in people with hypertension. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Mar 2;3:CD007654. doi: 10.1002/14651858.CD007654.pub4.

31 de out de 2016

Medicamentos e Idosos




O envelhecimento da população é tido como uma característica de países desenvolvidos, pois reflete a melhoria nas condições de vida da população e os avanços da medicina. O Brasil, com suas mudanças sociais e políticas ocorridas nos últimos anos, alcançou esse patamar de crescimento da população idosa. Dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos mostram um crescimento de 55% da população idosa desde 2001, o que equivale a 10% da população total ter mais de 60 anos. E a projeção é que cresça cada vez mais, podendo chegar a cerca de 12% da população total em 2020 e até 30% em 20501.
Assim como em outros ramos da sociedade, para os profissionais de saúde é muito importante saber lidar com essa mudança do perfil demográfico, visto que idosos necessitam de cuidados e atenção diferenciada. O idoso apresenta mudanças fisiológicas que podem causar debilitações e mal funcionamento do organismo e, consequentemente, alterações nos padrões farmacocinéticos de determinados fármacos2. É comum a coexistência de múltiplas condições clínicas, gerando maior cautela na escolha e avaliação do tratamento. Com o aumento da idade, aumenta a chance de uso contínuo de medicamentos, pelo desenvolvimento de doenças crônicas3. Quanto às modificações fisiológicas que ocorrem no corpo dos idosos, é importante ressaltar que nem todas as pessoas passam pelas mesmas mudanças ao mesmo tempo e não existe uma perda de função mais acelerada de cada órgão, mas sim um acúmulo de um maior número de sistemas em declínio funcional4.

Em relação a absorção dos fármacos, embora não existam evidências substanciais que seja alterada fortemente, pode ocorrer por mudança nos hábitos nutricionais, aumento no uso de fármacos não prescritos e mudanças no esvaziamento gástrico. Idosos também possuem uma menor massa e menor volume de água corporais, aumento na proporção de tecido adiposo, além da diminuição de albumina sérica, que dificulta a distribuição de determinados fármacos com características de ácidos fracos pelo organismo. Em contrapartida, existe um aumento de alfa-1 glicoproteína que liga diversos fármacos de bases fracas. Por exemplo, a dose inicial de digoxina em pacientes idosos deve ser diminuída devido ao volume aparente de distribuição diminuído. A capacidade do fígado metabolizar fármacos também é reduzida, com uma permanência por mais tempo da porção ativa do fármaco na circulação ou uma demora no início de ação em pró-fármacos que necessitam ser metabolizados para terem sua ação. Já o rim, como principal órgão envolvido na eliminação de fármacos, a diminuição de sua função é de vital importância e deve ser avaliada. A principal marca desse declínio de função é o aumento da meia-vida de diversos fármacos e a possibilidade de acúmulo em níveis tóxicos das substâncias4.

Outro importante fator que resulta em uma menor efetividade do tratamento é a questão da adesão. Não raramente, o tratamento farmacológico destes pacientes envolve um alto número de medicamentos (polifarmácia) 2. Embora não exista uma definição específica de “polifarmácia”, tem sido caracterizada pelo uso de 4 ou mais medicamentos. Com o uso de diversos medicamentos, aumentam as chances de reações adversas e interações medicamentosas, o que reforça ainda mais a necessidade de uma efetiva orientação pelo farmacêutico, tanto centradas no paciente quanto na equipe de saúde 2,5.

Resumindo, devido a mudança no perfil farmacocinético e no maior número de problemas crônicos em pessoas idosas, é necessária atenção redobrada neste grupo populacional. O farmacêutico pode desempenhar um papel fundamental na análise das prescrições e no acompanhamento farmacoterapêutico, elementos essenciais da Assistência Farmacêutica.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva dal Pizzol


1.     BRASIL. SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS. Dados sobre envelhecimento no Brasil. 2012. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/dados-estatisticos/DadossobreoenvelhecimentonoBrasil.pdf Acessado em: 17/10/2016
2.     BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário terapêutico nacional 2010: Rename 2010 / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
3.     Williams, Brie; Chang, Anna. Current Diagnosis and Treatment: Geriatrics. 2ª Edição. Estados Unidos: McGraw-Hill Education, 2014.
4.     Katzung, BG; Trever, AJ. Basic & Clinical Pharmacology. 13ª Edição. Estados Unidos: McGraw-Hill Education, 2015).

5.     Patterson SM e al. Interventions to improve the appropriate use of polypharmacy for older people. Cochrane Database Syst Rev. 2014 Oct 7;(10):CD008165. doi: 10.1002/14651858.CD008165.pub3.