5 de dez de 2016

Homeopatia - funciona mesmo?

        




        Homeopatia é uma técnica bicentenária que vem se firmando mundialmente como uma alternativa na terapêutica humana e veterinária e hoje disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Medicamentos homeopáticos se originam do princípio “Similia similibus curantur”, que foi adaptado por Christian Friedrich Samuel Hahnemann, o pai da homeopatia, como: “Os remédios só podem curar doenças semelhantes àquelas que eles próprios podem produzir”. Tais medicamentos são derivados de fontes naturais que a partir da dinamização liberam suas propriedades medicinais1. Os medicamentos e técnicas homeopáticas são documentados e possuem Farmacopéia própria, como a do Brasil, que pode ser consultada neste link. Cabe destacar que não são medicamentos homeopáticos: essências florais, medicamentos antroposóficos, cromoterapia, aromaterapica, acupuntura, reiki, iridologia, shiatsu, dentre outros2.
           
        Por vezes, os medicamentos homeopáticos passam por descrença pelo meio acadêmico e profissional; entretanto em relatório sobre a efetividade e segurança de medicamentos homeopáticos desenvolvido para o Gabinete Federal Suíço para Saúde Pública, com o objetivo de avaliar formas de medicina complementar, é relatado que a efetividade destes medicamentos pode ser comprovada por evidência clínica3. No entanto, o relatório destaca que os dados não são sempre consistentes, levando a restrições nos resultados.
      
        Apesar do tratamento homeopático estar incluso e ser financiado pelo SUS, ainda não é contemplado em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, mesmo em condições para as quais já existam evidências. Por exemplo, embora com poucos estudos incluídos, uma revisão Cochrane, buscando avaliar o uso de medicamentos homeopáticos em casos de efeitos adversos causados por antineoplásicos, evidenciou efeitos benéficos do uso de pomada de calêndula em uso tópico para tratamento de dermatite causada por radioterapia e do uso de Traumeel S (um medicamento homeopático) como exaguatório bucal para diminuição de estomatite induzida por quimioterapia4. Ao menos no Brasil, não existe descrição do uso de medicamentos homeopáticos para essas ou outras indicações nos protocolos clínicos5.

        Consultando a base Cochrane de revisões sistemáticas e outras bases de dados, como PubMed e Embase, é evidente o baixo número de ensaios clínicos randomizados de qualidade existentes sobre o tema, resultando em revisões sistemáticas e meta-análises inconclusivas em sua maioria. Talvez a falta de evidência seja um dos motivos para a não inserção da prática homeopática no SUS; no entanto, ausência de evidência não significa necessariamente ausência de efeito. Portanto, é de suma importância que mais estudos controlados de boa qualidade sobre eficácia, segurança e efetividade de medicamentos homeopáticos sejam realizados e, dessa maneira, possam contribuir com o acesso e uso racional de tecnologias de saúde no SUS.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Farm. Prof. Tatiane da Silva Dal Pizzol


1.       BRASIL. ANVISA. Farmacopéia Brasileira de Homeopatia. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/farmacopeiabrasileira/conteudo/3a_edicao.pdf Acessado em: 21/11/2016
2.       BRASIL. ANVISA. Medicamentos Dinamizados. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/homeopaticos/definicao.htm Acessado em: 21/11/2016
3.       Bornhöft G et al. Effectiveness, safety and cost-effectiveness of homeopathy in general practice - summarized health technology assessment. Forsch Komplementmed. 2006;13 Suppl 2:19-29. Epub 2006 Jun 26.
4.       Kassab S, et al. Homeopathic medicines for adverse effects of cancer treatments. Cochrane Database of Systematic Reviews 2009, Issue 2. Art. No.: CD004845.
5.       BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas em Oncologia. Brasília -DF. 2014. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Protocolos/livro-pcdt-oncologia-2014.pdf Acessado em: 21/11/2016

16 de nov de 2016

Comunicamos que no dia 17/11 o CIM-RS abrirá em turno inverso, das 13:30h às 17:30h.
Att
Equipe CIM-RS


10 de nov de 2016

Estatísticas parciais de 2016

Está disponível para acesso as estatísticas parciais de 2016 do CIM-RS.
Para visualizar clique aqui.

Atenciosamente

Equipe do CIM-RS

Obesidade - preciso mesmo recorrer a medicamentos?




A população mundial vem ganhando peso corporal, e a brasileira não fica para trás. Pesquisa realizada em 2014 em 26 capitais brasileiras, denominada Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), revelou que 52,5% da população brasileira estava acima do peso. Segundo esta pesquisa, 51,8% dos moradores de Porto Alegre estavam com excesso de peso. A capital com maior número de pessoas nessa situação foi Rio Branco, com 60,8%. Porto Alegre também possuía 18,2% de pessoas obesas, um número alto quando comparado à capital com menor proporção de pessoas obesas, Goiânia, com 14 %. 1,2.

            Considerada um dos principais problemas de saúde pública na atualidade, por ser um fator de risco para doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer, a obesidade pode ser classificada de diversas formas. A mais usada é o IMC (Índice de Massa Corporal), que relaciona peso e altura do indivíduo. Sobrepeso é caracterizado por um IMC entre 25 a 29,9 e grau I de obesidade, a partir de 30 até 34,9 3. Por conta da alta prevalência e dos problemas que pode causar, há diversos programas de saúde pública em todo mundo para tentar diminuir os índices desta condição.

            Revisão sistemática e metanálise publicada em 2013 avaliou a influência de algumas medidas terapêuticas na manutenção e melhora na perda de peso após dietas com baixo valor calórico. Esta pesquisa, que incluiu 27 estudos com mais de 3000 participantes no total, verificou que fármacos antiobesidade, reposição alimentar e dietas com alta proporção de proteínas foram efetivas em aumentar a perda de peso, enquanto exercício físico e suplementação alimentares (como chá verde, suplementações com ácido linoleico conjugado, óleos e fibras) não demonstraram aumento da perda de peso, mas foram suficientes para manter o peso. Isso demonstra que existem outras alternativas ao uso de fármacos para manutenção e perda de peso. Alternativas que, em geral, possuem efeitos adversos em menor prevalência e gravidade. Entretanto, esta pesquisa apresentou algumas limitações como o baixo número de estudos clínicos randomizados que compararam o uso de exercícios e fármacos antiobesidade4.

            No caso de crianças, mudanças comportamentais na família como um todo levam a efeitos positivos na perda de peso quando o IMC é avaliado em crianças e adolescentes. Estas mudanças incluem adequação da dieta, prática de atividade física e/ou intervenção com terapia comportamental. Quando usados juntamente com mudanças no estilo de vida em crianças obesas, o uso de medicamentos, como sibutramina, resultou em uma perda ainda maior de peso, embora com o aparecimento frequente de efeitos adversos característicos, como taquicardia e hipertensão. Portanto, o efeito farmacológico resultante do uso de medicamentos deve ser balanceado com os problemas que estes possam causar no momento de estabelecer o plano terapêutico nessa faixa etária. Ainda assim, mais estudos são necessários para determinar qual a melhor abordagem a ser usada em crianças e adolescentes e que resulte na perda de peso de maneira saudável5.

            O Brasil por muito tempo foi o maior consumidor de medicamentos inibidores de apetite usados contra obesidade. Entretanto, nos últimos anos vêm apresentando um panorama heterogêneo em relação ao consumo de tais medicamentos, ou seja, o número de dispensações vem se distribuindo de forma diferente de acordo com a cidade: aumentando, diminuindo ou se mantendo o mesmo6.   Entretanto, evidências apontam para outros métodos tão efetivos quanto os medicamentos que não possuem os potenciais efeitos adversos que medicamentos, como a sibutramina, podem causar. 7
A aquisição de hábitos alimentares e estilo de vida saudáveis ainda é a primeira abordagem a ser utilizada pela pessoa que necessita perder peso. A utilização de medicamentos deve ser reservada a situações muito específicas, e deve ser feita somente com prescrição médica e com a orientação do farmacêutico para o uso adequado. 

Texto elabotado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva Dal Pizzol

1.     MINISTÉRIO DA SAÚDE. VIGITEL BRASIL 2014 - vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Disponível em: http://www.ans.gov.br/images/stories/Materiais_para_pesquisa/Materiais_por_assunto/2015_vigitel.pdf Acessado em: 07/11/2016
2.     PORTAL SAÚDE. VIGITEL 2014 - Obesidade estabiliza no Brasil, mas excesso de peso aumenta. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/principal/agencia-saude/17445-obesidade-estabiliza-no-brasil-mas-excesso-de-peso-aumenta Acessado em: 07/11/2016
3.     HALPERN, A; MANCINI, M. C. Obesidade e Síndrome Metabólica para o Clínico. São Paulo: Rocca, 2009.
4.     Johansson K, Neovius M, Hemmingsson E. Effects of anti-obesity drugs, diet, and exercise on weight-loss maintenance after a very-low-calorie diet or low-calorie diet: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2014 Jan;99(1):14-23. doi: 10.3945/ajcn.113.070052. Epub 2013 Oct 30.
5.     Oude Luttikhuis H, Baur L, Jansen H, Shrewsbury VA, O'Malley C, Stolk RP, Summerbell CD. Interventions for treating obesity in children. Cochrane Database Syst Rev. 2009 Jan 21;(1):CD001872. doi: 10.1002/14651858.CD001872.pub2.
6.     BRASIL. ANVISA. SNGPC – Boletim de Farmacoepidemiologia. ”Inibidores de Apetite no Brasil: reflexões sobre seu consumo nos anos de 2009 a 2011”. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/sngpc/boletins/2012/boletim_sngpc_1_2012_modificado.pdf Acessado em: 10/11/2016
7.     Siebenhofer A, Jeitler K, Horvath K, Berghold A, Posch N, Meschik J, Semlitsch T. Long-term effects of weight-reducing drugs in people with hypertension. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Mar 2;3:CD007654. doi: 10.1002/14651858.CD007654.pub4.

31 de out de 2016

Medicamentos e Idosos




O envelhecimento da população é tido como uma característica de países desenvolvidos, pois reflete a melhoria nas condições de vida da população e os avanços da medicina. O Brasil, com suas mudanças sociais e políticas ocorridas nos últimos anos, alcançou esse patamar de crescimento da população idosa. Dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos mostram um crescimento de 55% da população idosa desde 2001, o que equivale a 10% da população total ter mais de 60 anos. E a projeção é que cresça cada vez mais, podendo chegar a cerca de 12% da população total em 2020 e até 30% em 20501.
Assim como em outros ramos da sociedade, para os profissionais de saúde é muito importante saber lidar com essa mudança do perfil demográfico, visto que idosos necessitam de cuidados e atenção diferenciada. O idoso apresenta mudanças fisiológicas que podem causar debilitações e mal funcionamento do organismo e, consequentemente, alterações nos padrões farmacocinéticos de determinados fármacos2. É comum a coexistência de múltiplas condições clínicas, gerando maior cautela na escolha e avaliação do tratamento. Com o aumento da idade, aumenta a chance de uso contínuo de medicamentos, pelo desenvolvimento de doenças crônicas3. Quanto às modificações fisiológicas que ocorrem no corpo dos idosos, é importante ressaltar que nem todas as pessoas passam pelas mesmas mudanças ao mesmo tempo e não existe uma perda de função mais acelerada de cada órgão, mas sim um acúmulo de um maior número de sistemas em declínio funcional4.

Em relação a absorção dos fármacos, embora não existam evidências substanciais que seja alterada fortemente, pode ocorrer por mudança nos hábitos nutricionais, aumento no uso de fármacos não prescritos e mudanças no esvaziamento gástrico. Idosos também possuem uma menor massa e menor volume de água corporais, aumento na proporção de tecido adiposo, além da diminuição de albumina sérica, que dificulta a distribuição de determinados fármacos com características de ácidos fracos pelo organismo. Em contrapartida, existe um aumento de alfa-1 glicoproteína que liga diversos fármacos de bases fracas. Por exemplo, a dose inicial de digoxina em pacientes idosos deve ser diminuída devido ao volume aparente de distribuição diminuído. A capacidade do fígado metabolizar fármacos também é reduzida, com uma permanência por mais tempo da porção ativa do fármaco na circulação ou uma demora no início de ação em pró-fármacos que necessitam ser metabolizados para terem sua ação. Já o rim, como principal órgão envolvido na eliminação de fármacos, a diminuição de sua função é de vital importância e deve ser avaliada. A principal marca desse declínio de função é o aumento da meia-vida de diversos fármacos e a possibilidade de acúmulo em níveis tóxicos das substâncias4.

Outro importante fator que resulta em uma menor efetividade do tratamento é a questão da adesão. Não raramente, o tratamento farmacológico destes pacientes envolve um alto número de medicamentos (polifarmácia) 2. Embora não exista uma definição específica de “polifarmácia”, tem sido caracterizada pelo uso de 4 ou mais medicamentos. Com o uso de diversos medicamentos, aumentam as chances de reações adversas e interações medicamentosas, o que reforça ainda mais a necessidade de uma efetiva orientação pelo farmacêutico, tanto centradas no paciente quanto na equipe de saúde 2,5.

Resumindo, devido a mudança no perfil farmacocinético e no maior número de problemas crônicos em pessoas idosas, é necessária atenção redobrada neste grupo populacional. O farmacêutico pode desempenhar um papel fundamental na análise das prescrições e no acompanhamento farmacoterapêutico, elementos essenciais da Assistência Farmacêutica.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Prof. Farm. Tatiane da Silva dal Pizzol


1.     BRASIL. SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS. Dados sobre envelhecimento no Brasil. 2012. Disponível em: http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/dados-estatisticos/DadossobreoenvelhecimentonoBrasil.pdf Acessado em: 17/10/2016
2.     BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário terapêutico nacional 2010: Rename 2010 / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
3.     Williams, Brie; Chang, Anna. Current Diagnosis and Treatment: Geriatrics. 2ª Edição. Estados Unidos: McGraw-Hill Education, 2014.
4.     Katzung, BG; Trever, AJ. Basic & Clinical Pharmacology. 13ª Edição. Estados Unidos: McGraw-Hill Education, 2015).

5.     Patterson SM e al. Interventions to improve the appropriate use of polypharmacy for older people. Cochrane Database Syst Rev. 2014 Oct 7;(10):CD008165. doi: 10.1002/14651858.CD008165.pub3.

27 de out de 2016

Funcionamento do CIM-RS no dia 28/10/2016

Informamos que o CIM-RS não funcionará dia 28/10/2016 devido ao feriado institucional na UFRGS.

Atenciosamente, equipe do CIM.

14 de out de 2016

Mudança de horário - 17/10

Informamos que nesta segunda-feira(17) o CIM-RS funcionará em horário invertido das 13:30 até 17:30h.


No resto da semana, o horário de funcionamento será normal das 8h às 12h.

3 de out de 2016

Mudança de horário de funcionamento

Amanhã, terça-feira (04/10/16), excepcionalmente, o CIM-RS estará funcionando das 13:30 às 17:30.

Atenciosamente,
Equipe do CIM/RS

27 de set de 2016

Luta pelo Medicamento



Celebrou-se em setembro o dia nacional da luta pelo medicamento, uma realidade para parte da população brasileira. O medicamento é uma tecnologia de saúde essencial, e pode ser obtido, por exemplo, diretamente em farmácias comerciais (com ou sem subsídio de programas oficiais), em farmácias hospitalares durante internação clínica, e em farmácias do serviço público de saúde (SUS).

O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica é uma das estratégias de acesso a medicamentos no âmbito do SUS, e é caracterizado pela busca da garantia da integralidade do tratamento medicamentoso, em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas publicados pelo Ministério da Saúde­1. Estes medicamentos, antigamente categorizados como “de alto custo”, visam garantir o acesso ao tratamento medicamentoso de doenças raras, de baixa prevalência ou de uso crônico prolongado com alto custo unitário2. Envolvendo Ministério da Saúde, Secretaria Estadual da Saúde e Secretaria Municipal da Saúde, cada uma com as suas competências, o programa é regido por legislação específica que pode ser visualizado aqui .

No Rio Grande do Sul, para o paciente ter acesso ao medicamento do Componente Especializado, é necessário que vá até a Secretaria Municipal de Saúde do seu município para solicitar administrativamente que seja aberto um Processo Administrativo, e entregue, pelo menos, dois documentos: o "LME (Laudo para Solicitação de Medicamento Especializado, que é emitido pelo médico) e o Formulário "Cadastro de Usuários"(SAUDE-RS), que estão disponíveis, junto com mais informações no site da Secretaria Estadual da Saúde.                                                                                                                                                   
            Existem também iniciativas do Governo Federal que visam ampliar o acesso aos medicamentos e contribuir à Política Nacional de Assistência Farmacêutica, como o Programa Farmácia Popular, que possui medicamentos a custos reduzidos ou isentos para a população. Possui duas modalidades, a rede própria e os convênios “Aqui tem Farmácia Popular”. O Programa Farmácia Popular atende pacientes que tenham receitas de origem SUS, convênios ou particular. A condição para a aquisição dos medicamentos disponíveis nas unidades, neste caso, é a apresentação de documento com foto, no qual conste seu CPF, juntamente com uma receita médica (rede própria e Aqui tem Farmácia Popular) ou odontológica (somente rede própria)3. Consulte a farmácia mais próxima para esclarecimentos3.

            Na rede própria, o programa conta com 112 itens, entre medicamentos e preservativo masculino, os quais são dispensados a um valor reduzido de até 90% do valor de mercado3.

            O programa Aqui Tem Farmácia Popular é um convênio entre as farmácias da iniciativa privada e o sistema público de saúde visando disponibilizar medicamentos essenciais de baixo custo a mais lugares e pessoas, mesmo as que não buscam a assistência do SUS. Neste programa, são atualmente disponibilizados medicamentos para tratamento de hipertensão, diabetes, dislipidemia, osteoporose, rinite, Parkinson, asma e glaucoma além de contraceptivos, fraldas geriátricas e fosfato de oseltamivir, utilizado no tratamento da Gripe A (H1N1)3.

            Em 2011, foi iniciada no Programa Farmácia Popular a campanha Saúde Não Tem Preço3 para oferecer ao paciente medicamentos gratuitos para o tratamento de hipertensão e diabetes; em 2016, três medicamentos para tratamento da asma foram incluídos à campanha3

            Existem também ações do Governo Federal e das Agências de Saúde que visam um melhor acesso a medicamentos para pacientes que utilizam planos de saúde. Em 2015, por exemplo, foi publicada a Resolução Normativa n° 387 que atualizou o rol de procedimentos e eventos em saúde com cobertura assistencial mínima nos planos privados de assistência à saúde. A partir de então, os planos disponibilizam medicamentos antineoplásicos orais para uso domiciliar, assim como medicamentos para o controle de efeitos adversos e adjuvantes de uso domiciliar relacionados ao tratamento antineoplásico oral e/ou venoso4. Essa é uma medida importante, pois propicia maior conforto e comodidade para o paciente e reduz os casos de internação para tratamento em clínicas ou hospitais5.


            Existem, portanto, diversas alternativas para o paciente ter maior acesso a medicamentos, a um custo menor e com maior racionalidade, tanto no âmbito público quanto no privado. A divulgação dessas  informações evidencia a função social do CIM-RS para contribuição ao uso racional do medicamentos, fornecendo informação de qualidade à população e aos profissionais de saúde. 

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Tatiane da Silva Dal Pizzol e Alexandre A. de T. Sartori

1.     BRASIL MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n° 1554 de julho de 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt1554_30_07_2013.html Acessado em 26/09/2016
2.     RIO GANDE DO SUL. SECRETARIA ESTADUAL DA SAÚDE. Componente Especializado. Disponível em: http://www.saude.rs.gov.br/lista/153/Componente_Especializado Acessado em: 26/09/2016
4.     BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Resolução Normativa n° 387 de 29 de outubro de 2015. Disponível em: http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MzExMA== Acessado em: 26/09/2016
5.     BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. ANS amplia tratamento para pacientes com câncer. Disponível em: http://www.ans.gov.br/a-ans/sala-de-noticias-ans/consumidor/2467-ans-amplia-tratamento-para-pacientes-com-cancer- Acessado em: 26/09/2016

16 de set de 2016

Os Benefícios do Vinho






O vinho é fundamental na vida de muitos brasileiros, principalmente nas regiões que tiveram colonização italiana, sendo que a bebida faz parte da culturalocal. Muito antes disso, egípcios, gregos e romanos utilizavam essa bebida em sua dieta, inclusive já com uma certa ideia de que o seu consumo poderia trazer benefícios a saúde. Os gregos, há cerca de 3.000 anos, representam a primeira civilização conhecida a realizar o uso terapêutico de vinho, visto que em sua cultura se acreditava ser um presente dos deuses1.
Recentemente os potenciais benefícios terapêuticos do vinho vem ganhando força, sendo tratado amplamente pela imprensa. É dito que o vinho traz diversos benefícios como atividade anti-inflamatória, neuroproteção em muitas doenças neurodegenerativas e até mesmo redução no risco de desenvolvimento de doenças coronarianas e câncer2. O principal agente dito responsável por tais efeitos é um polifenol presente na bebida: o resveratrol.

Mas o quão esse efeito é realmente considerável?

Em uma metanálise de ensaios clínicos randomizados, Liu e colaboradorestestaram os feitos do resveratrol na diminuição da pressão sanguínea. Pacientes que receberam resveratrolisolado por no mínimo 2 semanas foram comparados com grupo controle onde a diferença tenha sido apenas a ingestão de resveratrol.Os resultados apontaram que oresveratrol não diminuiu a pressão sanguínea sistólica ou diastólica, mesmo considerando a interferência do IMC, dose de resveratrol e duração de estudo3.
Emuma meta-análise de estudos de coorte, Huxley & Neil (2003) verificaram que o consumo elevado de flavonol na dieta, outro elemento importante presente não apenas no vinho, mas também em alguns tipos de chás, frutas e vegetais, resultou em um menor risco de doenças coronarianas. O chá verdee preto foramas principais fontes de flavonol no grupo de maior consumo diário da substância; frutas e vegetais, como uvas, amendoins, morangos, brócolis e cebola, nos grupos de menor consumo.O estudo, entretanto, admite diversas limitações como a interferência de outros fatores nos resultados (classe social, atividade física, tabagismo), o auto-relato que pode ter alterado as relações propostas, e outros elementos da dieta (gordura, colesterol, calorias totais) que podem explicar a diminuição de 20% no risco de desenvolvimento de doenças coronarianas4.
Em outra revisão,Woo & Kim (2013)não encontraram qualquer relação entre o consumo de flavonóides e redução no risco de câncer gástrico ou coloretal, embora sugira uma fraca associação inversa quando analisadas subclasses de flavonóis separadamente5. Cabe destacar que o álcool está presente normalmente em concentrações de 10 a 14 % em vinhos de mesa2, sendo considerado um dos principais vilões no desenvolvimento de câncer gástrico. Em outro estudo, foi verificado que a ingestão de cerveja e licores contribuiu positivamente para o desenvolvimento de câncer gástrico, mas vinho não6.
Diante desses achados, questiona-se a grande propaganda que se faz para o uso de suplementação de resveratrol para prolongamento da expectativa de vida, redução de risco de doença coronariana e câncer. Ainda assim, o flavonol parece ser um potencial alvo para novas pesquisas que visam investigar não apenas os potenciais benefícios do vinho, mas também de outras bebidas como os chás verde e preto, e frutas e vegetais, mencionadas anteriormente.

Texto elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Professora Tatiane da Silva Dal Pizzol

1.     Estreicher, S.K. Wine from neolithic times to the 21st century. Algora. New York. Algora Publishing. 2006. Disponível em: https://vinumvine.files.wordpress.com/2012/02/stefan-k-estreicher-wine-from-neolithic-times-to-the-21st-century.pdf
2.     Dermarderosian A.;Beutler, J. A. (Ed) The Review of Natural Products: the most complete source of natural product information. 7. ed. St. Louis: Facts and Comparisons, 2012.
3.     Liu Y, Ma W, Zhang P, He S, Huang D. Effect of resveratrol on blood pressure: a meta-analysis of randomized controlled trials. ClinNutr. 2015 Feb;34(1):27-34. doi: 10.1016/j.clnu.2014.03.009. Epub 2014 Mar 31
4.     Huxley RR, Neil HA. The relation between dietary flavonol intake and coronary heart disease mortality: a meta-analysis of prospective cohort studies. Eur J Clin Nutr. 2003 Aug;57(8):904-8.
5.     Hae Dong Woo and Jeongseon Kim. Dietary flavonoid intake and risk of stomach and colorectal cancer. World J Gastroenterol. 2013 Feb 21; 19(7): 1011–1019.
6.     Fang X, Wei J, He X, An P, Wang H, Jiang L, Shao D, Liang H, Li Y, Wang F, Min J. Landscape of dietary factors associated with risk of gastric cancer: A systematic review and dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. Eur J Cancer. 2015 Dec;51(18):2820-32. doi: 10.1016/j.ejca.2015.09.010. Epub 2015 Nov 14