14 de jun de 2016

O inverno está chegando - e a vitamina D como fica?



Vitamina D é um metabólito lipossolúvel importante para o metabolismo, tendo grande influência na estrutura óssea, visto que sua deficiência pode levar a osteomalacia (amolecimento dos ossos) em adultos e raquitismo em crianças. Pouco conhecido é o fato que sua escassez pode ocasionar doenças cardiovasculares,  aumentar incidência de doenças autoimunes e de câncer. Ela é sintetizada naturalmente no corpo humano, mas para isso é necessária exposição à radiação ultravioleta a pele. Vitamina D também pode ser obtida da dieta, pela ingestão de ovos, peixes gordurosos e carne, alimentos ricos desse nutriente1,2.
           Órgãos de saúde pública tem encorajado a exposição a luz solar para evitar a deficiência de Vitamina D, mas isso vira uma preocupação com a chegada do inverno: temperaturas mais baixas impedem que as pessoas saiam com frequência para a rua e dias nublados diminuem a exposição à radiação UV, o que pode levar a uma deficiência da vitamina em questão. Mas o quanto essa produção é realmente afetada?
           Em estudos avaliando variações plasmáticas de vitamina D em diferentes localidades, foi verificado que em muitas pessoas residentes em locais de latitudes moderadas a altas, os níveis da vitamina variam entre verão e inverno. Entretanto, muitas pessoas conseguem manter seus níveis plasmáticos normais mesmo após longos meses sem exposição ao sol devido a uma dieta adequada. Os autores desses estudos sugerem que políticas públicas sejam incentivadas para promover o consumo alimentar adequado de vitamina D para diminuir o impacto da redução na produção interna do nutriente. Entretanto, faz-se necessário a realização de ensaios clínicos randomizados para avaliar se os benefícios da maior exposição a luz solar para aumento de níveis de vitamina D plasmáticos superam os malefícios, como maior risco de câncer de pele2,3,4,5.
           Mas substituir totalmente a exposição a radiação solar para a produção interna de Vitamina D por suplementação seria uma boa alternativa? Glossmann (2011) afirma que esta suplementação não é equivalente a Vitamina D naturalmente produzida pelo organismo. A irradiação de UV pode aumentar uma grande variedade de hormônios, proteínas e citocinas. Calcitriol produzido na pele pode proteger contra câncer de pele, inclusive contra melanoma. Produção de óxido nítrico na pele é aumentada na mesma hora por UV-A, o que diminui a pressão sanguínea sistêmica, indicando que existem outras atividades relacionadas a exposição a luz solar além da produção de vitamina D. Por isso a exposição a luz solar não deveria ser completamente substituída por suplementação alimentar6.
           Para avaliar a importância de suplementação de vitamina D em crianças, uma metanálise analisou a importância desta suplementação em termos de densidade óssea. Comparando crianças com níveis séricos de vitamina D normais com e sem suplementação não foi encontrada uma diferença significativa neste parâmetro. Entretanto, em crianças com baixos níveis de vitamina D foi encontrado uma maior densidade óssea nas crianças recebendo a suplementação. Embora esta metanálise tenha sido bem conduzida, baseia-se nos resultados de apenas 6 estudos, com um total 884 crianças, para que se possa tirar conclusões precisas sobre a ausência de efeito de suplementação de vitamina D em crianças com níveis séricos normais de vitamina D7,8.
           Diante da preocupação com a diminuição de produção de Vitamina D durante os meses mais frios e escuros, recomenda-se que os profissionais da saúde orientem indivíduos e comunidade sobre os benefícios das diferentes estratégias de obtenção da vitamina D, incluindo a obtenção deste nutriente pela dieta e a exposição ao sol nos horários preconizados, para viabilizar o seu processo de síntese no organismo sem grandes riscos para a saúde por conta do potencial malefício causado pela radiação UV.
          
1.    Fry CM, Sanders TA. Vitamin D and risk of CVD: a review of the evidence. Proc Nutr Soc. 2015 Aug;74(3):245-57. doi: 10.1017/S0029665115000014. Epub 2015 Feb 20
2.    Rice SA, Carpenter M, Fityan A, Vearncombe LM, Ardern-Jones M, Jackson AA, Cooper C, Baird J, Healy E. Limited exposure to ambient ultraviolet radiation and 25-hydroxyvitamin D levels: a systematic review. Br J Dermatol. 2015 Mar;172(3):652-61. doi: 10.1111/bjd.13575. Epub 2015 Feb 3.)
3.    Engelsen O. The relationship between ultraviolet radiation exposure and vitamin D status. Nutrients. 2010 May;2(5):482-95. doi: 10.3390/nu2050482. Epub 2010 May
4.    Cashman KD1. A review of vitamin D status and CVD. Proc Nutr Soc. 2014 Feb;73(1):65-72. doi: 10.1017/S0029665113003595. Epub 2013 Oct 9.)
5.    Mullins RJ, Camargo CA. Latitude, sunlight, vitamin D, and childhood food allergy/anaphylaxis. Curr Allergy Asthma Rep. 2012 Feb;12(1):64-71. doi: 10.1007/s11882-011-0230-7.)
6.    ( Glossmann H. Vitamin D, UV, and skin cancer in the elderly: to expose or not to expose? Gerontology. 2011;57(4):350-3. doi: 10.1159/000322521. Epub 2010 Dec 22.)
7.    Winzenberg T, Powell S., Shaw K.A., Jones G. Effects of vitamin D supplementation on bone density in healthy children: systematic review and meta-analysis. BMJ 2011;342:c7254
8.    Ryan, LM. Vitamin D supplementation of deficient children may improve bone mineral density. Evidence-Based Medicine October 2011; volume 16. Number 5


Elaborado por Gustavo F Marcowich
Revisado por Farm. Tatiane Dal Pizzol

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